Domingo, 16 de Março de 2008

Entrevista com a nutricionista Parte I

           No âmbito das temáticas relacionadas com a alimentação para uma vida saudável, concretizamos uma entrevista com a Dr. Dulce Lemos, que exerce as suas funções como nutricionista no Centro de Saúde de Fafe, e que gentilmente nos respondeu a um diversificado e extenso inquérito.
Que se tornou extremamente útil e esclarecedor, não só a nível do que pretendíamos mas também a nível de cultura geral. Apresentamos a primeira parte.
 
 
1.      O que se entende por obesidade?
Por obesidade entende-se por um excesso de massa gorda.
 
2.      Quais são as principais causas?
Pode ser um factor genético, que não é o mais normal, que é aquele factor que toda a gente procura para realmente achar uma justificação para o excesso de massa gorda que tem, mas aquilo que é mais normal é haver um desiquilíbrio entre aquilo que é a ingestão alimentar e, aquilo que o seu gasto calórico em termos de resposta às suas necessidades individuas. A quantidade de energia que a pessoa ingere é muito superior à quantidade de energia que a pessoa tem capacidade de gastar. Como o nosso organismo não sabe lidar doutra forma com o excesso, acumula em massa gorda.
 
3.      E as consequências?
As consequências... A primeira consequência é psicológica. Porque eu não acredito que ninguém gosta de se olhar ao espelho e ver três ou quatro vezes o volume que deveria ter. E isso começa a ter consequências psicológicas porque a pessoa começa a ter muitas dificuldades em lidar com a sua imagem corporal. Depois tem consequências directas em termos de saúde. Há um aumento da propensão para a diabetes, para a dislipidemia, para a hipertensão. Há uma sobrecarga ossea, porque é assim... os nossos ossinhos (coitadinhos!!!) não estão... imaginando numa pessoa que o peso devia ser 60kg e de repente tem 100kg, o esqueleto não está preparado para aguentar com 100kg em cima... em termos das articulações e da massa ossea começa a ter dificuldades em termos de movimento e depois isto começa a ter consequências sociais, também, porque é assim que nós somos uma sociedade “mazinha”, e não aceitamos os gordos tão bem como isso. Apregoamos uma sociedade de igualdade mas descriminamos os gordinhos e, eu tenho obesos cá na consulta que tiveram que deixar de trabalhar porque eram gordos.
 
4.      O que é o metabolismo?
O que é o metabolismo?... É assim, o metabolisno é a capacidade que o nosso organismo tem de gastar energia. Normalmente não se define assim exactamente como só metabolismo, define-se como metabolismo basal ou dispendio energético em repouso. E corresponde à quantidade de energia que o nosso organismo gasta em repouso. Isto é, quando nós não estamos a fazer nada. Imaginando, por exemplo, quando estamos deitadinhos a dormir e é a quantidade de energia que o nosso organismo gasta nessa situação e corresponde a manter todas as funções vitais: manter o sangue a circular, o coração a bater, os pulmões a fazer a nossa respiração, as nossas celulazinhas a crescerem, as trocas gasosas todas a nível das nossas células, isso é exactamente aquilo que definimos por metabolismo basal.
 
5.      De que forma está relacionado com a obesidade?
É assim... O metabolismo basal define uma quantidade de energia gasta, gasta para manter as nossas funções vitais. Quando esse metabolismo é baixo significa que o gasto energético total, a esse metabolismo basal nós vamos sempre acrescentar uma série de factores que vão aumentar esse gasto energético, tem a ver com a falta de actividade e com uma série de outros factores, mas se o metabolismo basal já é baixinho a pessoa nunca vai poder ter um consumo energético muito elevado porque senão, vai acumular aquilo que está em excesso, por isso, quem tem um metabolismo basal mais baixo está mais predisposto a ser obeso se ingerir energia a mais. Mas não quer dizer que vá ser, depende sempre da ingestão alimentar. Por isso, o metabolismo basal não define coisa alguma em relação à obesidade, a única coisa que pode definir é uma predisposição para. Mas a pessoa terá sempre um direito de intervenção, podendo controlar com a ingestão alimentar, mas não é fácil. E já vamos ver porquê.
 
6.      Sabemos que um metabolismo baixo é responsável pelo aumento de peso. Existem alguns indicadores que alertem para esse facto?
Para um metabolismo baixo? É assim, este metabolismo baixo pode ser de duas origens: pode ser patológico, pode estar ligado a alguma doença e quando assim é, pode ser corrigido e tem sintomas como, por exemplo, no caso do hipertiroidismo, que ele dá sintomas. Se é genético, ou seja, se já é normal da pessoa, se tem a ver com a sua informação genética, não tem sintoma nenhum.
 
7.      Quais as causas dessa “baixa” no metabolismo?
Pode ser por uma causa genética e aí não há uma baixa, o metabolismo mesmo sendo baixo é o metabolismo normal daquela pessoa. Quando é patológico, que é mais normal estar ligado a uma diminuição do metabolismo, é mesmo o hipertiroidismo, que é uma doença da tiróide em que há uma diminuiçao do funcionamento desta glândula, com uma baixa produção de hormonas, hormonas que estão ligadas ao funcionamento do nosso organismo e ao seu metabolismo o que o vão modificar, vai fazer com que haja um menor gasto, e para que não haja obesidade teria que estar ligado a uma menor ingestão alimentar, o que não acontecendo pode levar à obesidade.
 
8.      Quais as medidas a tomar para reverter esta situação?
Corrigir a patologia que está na origem dessa baixa no metabolismo e a partir daí fica tudo normal. E quando é por aí é muito fácil.
 
9.      Existem diferenças a nível do metabolismo entre homens e mulheres. Quais são e qual a razão?
Os homens têm um metabolismo basal superior às mulheres porque têm mais massa muscular, e a massa muscular é aquela massa que é metabolicamente activa, ou seja, é a massa que tem gasto energético, por isso, é que eles têm direito a ingerir mais calorias mesmo considerando o factor do metabolismo basal sobre as mulheres, pela sua constituição em termos de massa muscular que têm aumentada. Mas que é normal na constituição fisiológica do homem.
 
10. O funcionamento da tiróide também influência a massa corporal. Como?
Pode influênciar de duas formas. Quando a tiróide funciona mal, quer por excesso e se funciona mal por excesso, há um aumento do metabolismo basal e se a pessoa não tem uma ingestão alimentar de forma a compensar este aumento de metabolismo basal, vai haver um gasto das reservas, por isso vai haver uma diminuição de massa gorda. Se nós temos um mau funcionamento da tiróide mas por hipotiroidismo em que neste a tiróide está a funcionar por defeito, há uma diminuição no metabolismo, se a pessoa continua a ingerir a mesma quantidade de alimentos que ingeria, quando tinha o metabolismo normal, vai haver uma acumulação de gordura, por isso vai haver um aumento de massa gorda.
 
11. A obesidade é mais preocupante nas crianças ou na idade adulta?
            Nas duas. Nas duas, só que é assim quando olhamos para as crianças, olhamos para alguém que ainda tem um percurso muito grande pela frente. E normalmente aquilo que se sabe, pelos estudos feitos até agora, é que normalmente miúdos obesos vão dar adultos obesos. Por isso irão levar a um aumento da prevalência da obesidade na idade adulta. Por isso provavelmente olhando assim de vista grossa seria mais grave na infância, mas se nós olharmos à prevalência da obesidade, neste momento temos uma população adulta extraordinariamente obesa. Por isso dizer que é mais grave numa idade ou noutra não sei se me atrevo, mas a gravidade é igual. Agora tem que ser olhada de forma diferente, porque terá consequências diferentes consoante é na idade adulta ou na infância.
 
12. Em que idades esta doença é mais frequente?
            Em todas as idades. Nós temos idosos obesos, temos adultos obesos, temos adolscentes obesos e crianças obesas. Agora se nós formos procurar prevalências e estudos de prevalência, vamos encontrar mais na idade adulta e na infância, porque são aquelas onde é mais fácil de fazer os estudos. Durante a adolescência não temos tantos estudos como isso, porque há muitos factores que podem deturpar as prevalências. Mas é só por aí.
 
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publicado por simply_misses às 17:32
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Sábado, 1 de Março de 2008

A obesidade em números

Mais de 50% da população mundial será obesa em 2025 caso não sejam tomadas medidas sérias para prevenir e tratar a doença.
Existem cerca de 300 milhões de pessoas obesas no mundo e cerca de 1 bilhão já estará acima do peso aconselhado para a sua altura e idade. Quanto á obesidade infantil, os números revelam que 22 milhões de crianças com menos de 5 anos em todo o mundo são obesas.
 

 

 

Na maioria dos países da Europa, a obesidade, afectando 10 a 40 % da população adulta, é considerada a epidemia em maior crescimento.
 
Em Portugal, um em cada três adultos tem excesso de peso e um em cada 8 é obeso.
 

 

Relativamente á infância, Portugal é o 2º país, a seguir á Grécia, com a maior taxa de excesso de peso e obesidade infantil da Europa. Cerca de 31,5% das crianças portuguesas (dos 7 aos 9 anos) têm excesso de peso ou são obesas. São dados preocupantes que exigem a implementação de medidas eficazes no sentido de prevenir e tratar esta doença.
 

 
Tabela 6. Prevalência do excesso de peso e obesidade em crianças portuguesas dos 7 aos 9 anos
 
Sexo
Excesso de Peso
Obesidade
Total
Feminino
21,40%
12,30%
33,70%
Masculino
19,10%
10,30%
29,40%
Total
20,30%
11,30%
31,50%
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publicado por simply_misses às 18:24
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Tratamento

            O tratamento inicia-se com a identificação e quantificação do problema e proposta terapêutica.
            Mudar os hábitos alimentares e de estilo de vida é um começo aconselhável. Praticar uma dieta saudável, seguida de perto por um nutricionista e manter uma actividade física regular e moderada. É também aconselhado o tratamento psicológico e o tratamento através de fármacos, indicados por um especialista.
            De qualquer maneira ficam aqui alguns conselhos de como manter uma dieta equilibrada, sem excessos, que deve ser praticada não só por pessoas com problemas com o seu peso, mas para toda a gente. Pois não nos devemos esquecer que tudo o que fazemos hoje se reflectirá no futuro, podemos comer de tudo, desde que saibamos como fazê-lo.
 
           . Faça um mínimo de três refeições por dia, sendo uma delas o pequeno-almoço
 
           . Inclua frutas e /ou vegetais em todas a refeições
 
           . Inclua cereais, especialmente cereais integrais (pão de mistura) e produtos lácteos na sua alimentação diária (leite meio gordo, queijo fresco, iogurtes).
 
            . Prefira as carnes magras e o peixe
 
            . Utilize pouco sal na comida
 
            . Use gorduras insaturadas (azeite, óleos de milho, girassol ou soja, margarinas líquidas).
 
           . Evite os doces, os refrescos (quase sempre contém muito açúcar), as comidas muito calóricas e a comida rápida.
 
            . Evite fritar ou utilizar molhos. Utilize a cozedura, os grelhados e os assados
 
            . Evite as bebidas alcoólicas. Não beba mais do que dois copos de vinho ou de cerveja, se é homem, metade, se é mulher
 
            . Beba seis a oito copos de água por dia


 

 

            As cirurgias de redução do estômago são uma resposta eficaz para a perda de peso nos casos de obesidade mórbida.

            A cirurgia bariátrica é o tratamento cirúrgico para a obesidade mórbida, e é aconselhado quando o índice de massa corporal (IMC) se encontra acima de 40, ou de 35, no caso de haver doenças passíveis de melhorar com a perda de peso. A endoscopia bariátrica, com a colocação do balão intra gátrico, para pessoas entre 35 e 40 de IMC.

            Nos casos mais graves, na cirurgia de redução de estômago, existem várias opções, entre as quais: a colocação da banda gástrica, sleeve ou tubo gástrico, e bypass gástrico.

 

O que é um balão intra gástrico

 

           Não se trata de uma cirurgia. Consiste em deixar uma "bola de andebol", feita de silicone, dentro do estômago. É um processo endoscópico, em que o doente faz a colocação no dia e não precisa de ficar internado. O balão é introduzido por endoscopia, através de um tubo que vai da boca do estômago. Já no seu interior, é cheio com soro. Tem uma duração de seis meses, findos os quais é retirado, também por endoscopia. A perda de peso resulta de dois mecanismos: a ocupação de espaço dentro do estômago (cabe menos comida) e a pressão que faz sobre a mucosa e a parede do estômago que desencadeia estímulos de saciedade, pelo que a apetência para comer é baixa.

 

O que é a banda gástrica?

 

           É como se fosse um anel no dedo, só que á volta do estômago neste caso. A técnica da banda gástrica ajustável consiste na colocação de um pequeno anel em redor da porção superior do estômago, a cerca de dois centímetros do esófago. Este anel divide o estômago em dois compartimentos: um pequeno que fica acima da banda e irá armazenar pouca quantidade de alimento que, quando cheio, causa sensação de saciedade; e um segundo compartimento maior, que é o resto do estômago normal abaizo da banda, e que continuará a participar do processo digestivo normal, recebendo e enviando o alimento para o duodeno.

          A banda é uma "ferramenta" que o doente precisa para toda a vida. Se a retirarmos, o estômago vai voltar ao que era no início. É uma operação simples, do ponto de vista cirurgico que demora cerca de 40 minutos.

          A operação é efectuada por laparoscopia que é uma técnica que permite fazer a cirurgia sem ser de "barriga aberta".

 

O que é o bypass gástrico?

 

            No bypass gástrico recorta um pouco do estômago do restante. Consegue-se assim um estômago pequeno. Existe menos ingestão calórica porque se come menos. Consiste num corte numa pequena porção do estômago, a mais alta, onde se cria uma pequena bolsa que é ligada directamente ao intestino delgado. Ou seja, é feita uma passagem directa dos alimentos para o meio do intestino. Desta forma, passa-se a comer menos quantidade como acontece com a banda, mas também absorve menos 30%, logo há um melhor resultado e uma maior perda de peso.

            Trata-se de uma operação que demora de hora e meia a duas horas, com três dias de internamento, efectuada também por laparoscopia, com um período de convalescença de cerca de duas semanas.

 

O que é o sleeve ou tubo gástrico?

 

           O sleeve ou tubo gástrico é uma operação que "fica a meio caminho" entre a banda gástrica e o bypass gástrico. Efectuada também por laparoscopia, demora cerca de uma hora, precisa de 48 horas de internamento e de uma a duas semanas de convalescença. Consiste numa gastrectomia, ou seja, num corte de estômago, mas neste caso vertical, de maneira que o estômago fica transformado num tubo gástrico. É assim retirado uma parte do estômago. O doente terá um estômago substancialmente menor e uma consequente redução de peso, porque ingere menos comida. reduzem-se os níveis de grelina, que é a hormona responsável pelo apetite.

 

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publicado por simply_misses às 16:16
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Consequências da obesidade

             A obesidade infantil está associada a complicações futuras de doença cardiovascular, hiperlipidemia, hiperinsulinemia, hipertensão e artereosclerose precoce.
            A obesidade aumenta o risco de determinadas complicações na saúde, afectando múltiplos sistemas do corpo humano, desde o sistema circulatório ao hormonal, passando pelo digestivo, e até respiratório. Os ossos e os músculos, principalmente os das costas, também são afectados pelo esforço adicional exigido para suportar o excesso de peso. Outra complicação são as infecções cutâneas produzidas pelo suor e o atrito das dobras da pele. 
             Será também de extrema relevância referir o factor psicológico, pois penso que não existe ninguém que goste de se olhar ao espelho e ver-se com 10, 20 ou 30 quilos a mais do que o normal para a sua altura. E depois vivemos numa sociedade que discrimina as pessoas com excesso de peso por não satisfazerem o ideal de beleza estabelecido. Um padrão, um ideal inatingível para a maioria dos seres humanos. São constantemente pressionados a atingirem as medidas certas, e como os efeitos dos tratamentos não são imediatos, facilmente desistem ou têm uma “recaída” quando estes terminam. E podem entrar por fim em depressão.
 
Tabela 8. Riscos Relativos (RR) de doenças associadas á Obesidade
 
Grande
Moderado
Ligeiro
(RR > 3×)
(RR 2-3×)
(RR 1-2×)
Diabetes Mellitus Tipo 2
Doença coronária
Cancro
Doença Vesicular
Hipertensão Arterial
Síndrome do ovário poliquístico
Dislipidemia*
Osteoartrose (joelho)
Dor Lombar
Insulinoresistência
Hiperuricemia e gota
Risco anestésico
Dispneia*
 
Malformações fetais (associados á obesidade materna)
Apneia do sono
 
 
 

Por exemplo, um indivíduo obeso tem um risco de desenvolver a Diabetes Mellitus Tipo 2 cerca de 3 vezes maior do que um indivíduo com um peso normal para a altura.

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publicado por simply_misses às 15:54
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Causas da obesidade.....

A nossa sociedade culpabiliza a pessoa obesa pela sua doença, o que nem sempre corresponde á verdade. O indivíduo é sujeito diariamente a uma série de factores orgânicos, ambientais e psicossociais que influenciam no controle da efermidade.
O mais importante é tratar o doente, concentrando-se para isso nos vários factores que coadjuvam ao desenvolvimento da doença, e não apenas na culpa ou não do sujeito, podendo despontar o efeito contrário.

 
A causa primária do excesso de peso e obesidade é a má alimentação. Quando se ingere mais do que o organismo necessita e não se pratica actividade física suficiente á um aumento gradual do peso, pois existe um balanço positivo das calorias ingeridas. Isto deve-se essencialmente a um factor social, incluindo a pobreza e a escolaridade baixa. Que se reflecte posteriormente numa alimentação rica em calorias em comparação com os alimentos mais saudáveis (frutas e hortícolas), e que são mais baratas e fáceis de preparar, e a falta de exercício físico pois os ginásios não são economicamente acessíveis a todas as famílias e á falta espaços recreativos seguros.
 

As crianças obesas têm maior risco de serem obesas na idade adulta do que as criança magras ou com peso normal para a altura. Contudo, a maioria os adultos obesos não o foram em criança. Isto significa que o maior contributo para a obesidade nos adultos provirá de um balanço energético positivo, ou seja, de sucessivos episódios de ingestão alimentar que excedem os gastos energéticos.
 

 
Dormir pouco também pode contribuir, a longo tempo, para o aparecimento da obesidade. Assim como também se verifica o contrário, ou seja, a obesidade pode contribuir para os problemas de sono, como por exemplo, a apneia do sono, em a pessoa pára de respirar durante breves momentos, várias vezes durante a noite.
  
Determinados medicamentos, tais como esteróides, alguns anti depressivos e alguns fármacos indicados para problemas do foro psiquiátrico e desordens de estatura podem contribuir para um aumento do peso. Estes medicamentos podem actuar de 3 formas: diminuir o ritmo ao qual o corpo queima as calorias, estimular o apetite ou causar retenção de líquidos.
 
Outras situações poderão também contribuir para o desenvolvimento da obesidade, nomeadamente:
 
. Hipotiroidismo: a tiróide não produz a hormona tiroidea suficiente, resultando numa taxa metabólica mais baixa, isto é, os gastos energéticos são menores.
 
. Síndrome de Cushing: consiste numa desordem hormonal causada por uma exposição prolongada do organismo a níveis elevados de cortisol. Os sintomas variam mas, em geral, os indivíduos apresentam uma obesidade mais marcada no nível superior do corpo, caracterizada pela face arredondada, excesso de gordura na zona do pescoço e braços e pernas finos.  
 
. Síndrome do ovário poliquístico: caracterizado por níveis elevados de androgénios, ciclos menstruais ausentes ou irregulares e, em alguns casos, múltiplos quistos pequenos nos ovários.
 
Há estudos que demonstram vários aspectos:
 
Quanto maior o nível de escolaridade, menor a prevalência de excesso de peso e obesidade da população portuguesa adulta
 
Maior o grau de instrução dos pais, menor a prevalência da obesidade
 
Mais horas de televisão, jogos electrónicos ou de computador, maior prevalência da obesidade
 
Quanto mais urbana a zona de residência, maior a prevalência da obesidade
            Tabela 7. Prevalência da obesidade em países pobres, ricos e com nível intermédio de riqueza
 
País
PNB per capita (dólares)
Ano de estudo
Prevalência
 
 
 
Homens
Mulheres
Países Pobres
Tanzânia
100
1989
0,6
3,6
China
330
1990
-
0,5
Índia
370
1992
1,2
1,6
Países com nível intermédio de riqueza
Brasil
2940
1989
5,6
13,3
Rússia
3220
1996
10,8
27,9
Arábia Saudita
7820
1996
17,8
26,6
Países Ricos
Inglaterra
16550
1995
15
16,5
Holanda
18780
1995
8,4
8,3
Estados Unidos
22240
1991
19,7
24,7
Alemanha
23650
1990
17,2
19,3
Suécia
25110
1989
5,3
6
Japão
26930
1993
1,7
2,7
           
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publicado por simply_misses às 14:47
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

Métodos de detecção da obesidade... II

Medição das pregas cutâneas
 
           É uma medida que visa avaliar, indirectamente, a quantidade de gordura que existe no tecido subcutâneo e, a partir daí, poder-se estimar a proporção de gordura em relação ao peso corporal do indivíduo.
            Basicamente o processo para medir a espessura da dobra cutânea é segurar firmemente, com o polegar e o indicador da mão esquerda, a dobra de pele e gorsura subcutânea, destacando-a do tecido muscular seguindo o contorno natural da dobra cutânea de gordura. As extremidades do adipómetro (intrumento de medição) devem exercer uma pressão constante e devem estar em contacto com a pele. A espessura é lida directamente no mostrador do adipómetro.
          A medição é feita em diversas partes do corpo, como por exemplo, na região abdominal, nos bícepes, na coxa, na perna, nas costas, no peito, etc.....
 
 

Imagem da avaliação da
Prega Cutânea Abdominal
 

 

 

Visite para mais informações:
http://www.spnutric.com/calculos/avaliacao/pregas/pregas.html
 
 
 Impedância bioelétrica de frequência única
 
             Este método vem em sustituição da medição das pregas cutâneas, utilizado para determinar o percentual de gordura corporal, e que possui variebilidade inter e intra-examinador inaceitáveis.
               O aparelho utilizado neste método inovador, altamente fácil e preciso, tem a vantagem de avaliar com precisão a massa adiposa (gordura) e a massa de tecidos magros (musculatura e ossos). Oferecenum diagnóstico periódico percentual de gordura, captando desde as menores melhorias proporcionadas por dietas equilibradas e actividade física, ou indicando dietas exageradas, que propocionadam muitas vezes a perda de massa muscular.
 
 
Maça ou pêra?
                           
Embora o total de gordura no nosso corpo seja importante, é mais relevante ainda, saber onde ela está localizada.A gordura depositada na região abdominal acarreta mais riscos à saúde do que se ela estiver concentrada em outra parte do corpo. A medição do perímetro da cintura é um bom indicador da gordura abdominal predizendo mesmo factores de risco de complicações associadas á obesidade.
 
 
       Circunferência da Cintura
Risco de Complicações Metabólicas
Homem
Mulher
Risco Aumentado
94 cm
80 cm
Risco Muito Aumentado
102 cm
88 cm
 
Tabela 5. Circunferência da cintura limite para o risco de complicações associadas á obesidade, segundo o sexo.
 
           
            A relação perímetro da cintura/perímetro da anca (cintura/quadril) é, por sua vez, utilizada para classificar 2 tipos de obesidade.
 
            Ginóide – se a relação for < 1. Neste caso, a gordura acumula-se principalmente na zona das coxas, pernas e nádegas. Atinge na sua maioria mulheres e é responsável pela forma de pêra do corpo. Apesar de ser menos prejudicial, é a mais difícil de perder.
 
            Andróide – se a relação for >1 . É um tipo de obesidade típica dos homens e caracteriza-se pela forma de maça do corpo, uma vez que a gordura de acumula á volta dos órgãos, nas camadas mais profundas do abdómen. É mais fácil perder mas é mais prejudicial para a saúde. Associa-se a complicações metabólicas, como a diabetes tipo II, a dislipidemia*, a hipertensão arterial e as doenças cardiovasculares, como a doença coronária e a doença vascular cerebral.

 

 

 

 

 

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publicado por simply_misses às 19:12
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Métodos de detecção da obesidade...

 
Existem inúmeros métodos/técnicas de detecção da obesidade. Os quais poderemos dividir em dois grandes grupos: diagnósticos quantitativos e diagnósticos qualitativos de obesidade.
As seguintes tabelas nomearam essas técnicas.
 
Tabela 1. Diagnóstico quantitativo da obesidade
 
 
Métodos mais utilizados para diagnosticar a obesidade (quantitativo)
Cálculo de IMC
Tabelas do IMC
Medição das pregas cutâneas
Impedância bio eléctrica de frequência única
Espectroscopia bio eléctrica de frequência múltipla*
Condutibilidade eléctrica corpórea total (Tobec)*
Absorpciometria dual de raios x (DXA)*
Tomografia computorizada* e ressonância nuclear magnética*
Potássio corpóreo total (40K)*
Água duplamente marcada (D2O)*
 
* Métodos de uso experimental e de uso limitado na prática clínica. 
 
Tabela 2. Diagnóstico qualitativo da obesidade
 
Métodos mais utilizados para diagnosticar obesidade (qualitativo)
Medida do maior perímetro abdominal
Relação cintura - quadril
Absorpciometria dual de raios x (DXA)*
Ultra-sonografia*
Tomografia computorizada e ressonância nuclear magnética*
 
* Métodos de uso experimental e de uso limitado na prática clínica. 
Cálculo do IMC
 
A obesidade pode ser determinada indirectamente através do Índice de Massa Corporal (IMC), ou Índice de Quetelet, que relaciona o peso com a altura. A fórmula utilizada é a seguinte:
 
 
 
 
 
O cálculo do IMC é uma medida muito útil, rápida e barata mas não é válida no caso do atletas, nos indivíduos com edemas* ou com ascite*, pois há factores confundidores que influenciam os resultados, tais como a elevada percentagem de massa magra (ou muscular), ou a acumulação de líquidos no organismo.
 
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publicado por simply_misses às 22:46
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Obesidade - A doença do século!

 

            A obesidade é considerada, por muitos especialistas na matéria, como a pandemia do séc. XXI. Sendo que o número pessoas com excesso de peso já ultrapassa o bilhão em todo o mundo, mais até que o número de sub-nutridos, que ronda os 800 milhões. 

            O número de obesos em todo o Mundo rondará os 300 milhões, mais do que a desnutrição. A situação é dramática e a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para este flagelo silencioso que mata anualmente mais gente do que as guerras e catástrofes dos últimos tempos.

            Nauru, ilha do Pacífico apresenta os maiores problemas de obesidade (80% de sua população sofre de obesidade, sendo que o país onde há mais subnutrição é a Somália, onde 75,02% da população passa fome). Países como Barbados, EUA, Brasil também sofrem de sérios problemas com uma população acima do peso.

Em Portugal a situação é bastante preocupante visto que mais de metade dos portugueses sofre de excesso de peso ou obesidade (cerca de 52,4%), sendo a taxa mais elevada na Europa.

Num estudo efectuado recentemente á população portuguesa, concluiu-se que por cada 8 adultos um sofre de obesidade, e, nas crianças, em cada duas uma tem excesso de peso numa obesidade precoce que começa cada vez mais cedo.

            A má alimentação aliada á falta de prática de exercício físico, contribuem para agravar o flagelo da Obesidade em Portugal e em todo o Mundo. Apesar dos alertas para a situação descontrolada, pouco ou nada resulta para diminuir a incidência da doença que entre outras acarreta problemas graves de saúde como: doenças cardiovasculares, diabetes, cancro, etc. , bem como a diminuição da qualidade de vida.

            Ainda assim não chega para reverter a situação, sendo cada vez mais difícil vencer o “gigante” da fast-food que reina no Mundo de hoje, tão sedento de tempo para tudo menos para o que é realmente importante.

 

         O que é a obesidade?

 

A obesidade é uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir níveis capazes de afectar a saúde. Consequência maioritariamente do excesso de ingestão de gordura proveniente dos alimentos.

Resulta essencialmente do desequilíbrio energético entre a ingestão energética e o gasto energético.

É uma doença crónica multifactorial, epidémica e que requer tratamento médico, muito dispendioso.

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publicado por simply_misses às 11:21
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.Este blog foi idealizado no âmbito do projecto "Doenças do séc. XXI", que estamos a desenvolver na área curricular Área de Projecto do 12º ano, da Escola Secundária de Fafe. Agradecemos desde já a colaboração de todos que tornaram este trabalho realidade.

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