Domingo, 16 de Março de 2008

Entrevista com a nutricionista Parte I

           No âmbito das temáticas relacionadas com a alimentação para uma vida saudável, concretizamos uma entrevista com a Dr. Dulce Lemos, que exerce as suas funções como nutricionista no Centro de Saúde de Fafe, e que gentilmente nos respondeu a um diversificado e extenso inquérito.
Que se tornou extremamente útil e esclarecedor, não só a nível do que pretendíamos mas também a nível de cultura geral. Apresentamos a primeira parte.
 
 
1.      O que se entende por obesidade?
Por obesidade entende-se por um excesso de massa gorda.
 
2.      Quais são as principais causas?
Pode ser um factor genético, que não é o mais normal, que é aquele factor que toda a gente procura para realmente achar uma justificação para o excesso de massa gorda que tem, mas aquilo que é mais normal é haver um desiquilíbrio entre aquilo que é a ingestão alimentar e, aquilo que o seu gasto calórico em termos de resposta às suas necessidades individuas. A quantidade de energia que a pessoa ingere é muito superior à quantidade de energia que a pessoa tem capacidade de gastar. Como o nosso organismo não sabe lidar doutra forma com o excesso, acumula em massa gorda.
 
3.      E as consequências?
As consequências... A primeira consequência é psicológica. Porque eu não acredito que ninguém gosta de se olhar ao espelho e ver três ou quatro vezes o volume que deveria ter. E isso começa a ter consequências psicológicas porque a pessoa começa a ter muitas dificuldades em lidar com a sua imagem corporal. Depois tem consequências directas em termos de saúde. Há um aumento da propensão para a diabetes, para a dislipidemia, para a hipertensão. Há uma sobrecarga ossea, porque é assim... os nossos ossinhos (coitadinhos!!!) não estão... imaginando numa pessoa que o peso devia ser 60kg e de repente tem 100kg, o esqueleto não está preparado para aguentar com 100kg em cima... em termos das articulações e da massa ossea começa a ter dificuldades em termos de movimento e depois isto começa a ter consequências sociais, também, porque é assim que nós somos uma sociedade “mazinha”, e não aceitamos os gordos tão bem como isso. Apregoamos uma sociedade de igualdade mas descriminamos os gordinhos e, eu tenho obesos cá na consulta que tiveram que deixar de trabalhar porque eram gordos.
 
4.      O que é o metabolismo?
O que é o metabolismo?... É assim, o metabolisno é a capacidade que o nosso organismo tem de gastar energia. Normalmente não se define assim exactamente como só metabolismo, define-se como metabolismo basal ou dispendio energético em repouso. E corresponde à quantidade de energia que o nosso organismo gasta em repouso. Isto é, quando nós não estamos a fazer nada. Imaginando, por exemplo, quando estamos deitadinhos a dormir e é a quantidade de energia que o nosso organismo gasta nessa situação e corresponde a manter todas as funções vitais: manter o sangue a circular, o coração a bater, os pulmões a fazer a nossa respiração, as nossas celulazinhas a crescerem, as trocas gasosas todas a nível das nossas células, isso é exactamente aquilo que definimos por metabolismo basal.
 
5.      De que forma está relacionado com a obesidade?
É assim... O metabolismo basal define uma quantidade de energia gasta, gasta para manter as nossas funções vitais. Quando esse metabolismo é baixo significa que o gasto energético total, a esse metabolismo basal nós vamos sempre acrescentar uma série de factores que vão aumentar esse gasto energético, tem a ver com a falta de actividade e com uma série de outros factores, mas se o metabolismo basal já é baixinho a pessoa nunca vai poder ter um consumo energético muito elevado porque senão, vai acumular aquilo que está em excesso, por isso, quem tem um metabolismo basal mais baixo está mais predisposto a ser obeso se ingerir energia a mais. Mas não quer dizer que vá ser, depende sempre da ingestão alimentar. Por isso, o metabolismo basal não define coisa alguma em relação à obesidade, a única coisa que pode definir é uma predisposição para. Mas a pessoa terá sempre um direito de intervenção, podendo controlar com a ingestão alimentar, mas não é fácil. E já vamos ver porquê.
 
6.      Sabemos que um metabolismo baixo é responsável pelo aumento de peso. Existem alguns indicadores que alertem para esse facto?
Para um metabolismo baixo? É assim, este metabolismo baixo pode ser de duas origens: pode ser patológico, pode estar ligado a alguma doença e quando assim é, pode ser corrigido e tem sintomas como, por exemplo, no caso do hipertiroidismo, que ele dá sintomas. Se é genético, ou seja, se já é normal da pessoa, se tem a ver com a sua informação genética, não tem sintoma nenhum.
 
7.      Quais as causas dessa “baixa” no metabolismo?
Pode ser por uma causa genética e aí não há uma baixa, o metabolismo mesmo sendo baixo é o metabolismo normal daquela pessoa. Quando é patológico, que é mais normal estar ligado a uma diminuição do metabolismo, é mesmo o hipertiroidismo, que é uma doença da tiróide em que há uma diminuiçao do funcionamento desta glândula, com uma baixa produção de hormonas, hormonas que estão ligadas ao funcionamento do nosso organismo e ao seu metabolismo o que o vão modificar, vai fazer com que haja um menor gasto, e para que não haja obesidade teria que estar ligado a uma menor ingestão alimentar, o que não acontecendo pode levar à obesidade.
 
8.      Quais as medidas a tomar para reverter esta situação?
Corrigir a patologia que está na origem dessa baixa no metabolismo e a partir daí fica tudo normal. E quando é por aí é muito fácil.
 
9.      Existem diferenças a nível do metabolismo entre homens e mulheres. Quais são e qual a razão?
Os homens têm um metabolismo basal superior às mulheres porque têm mais massa muscular, e a massa muscular é aquela massa que é metabolicamente activa, ou seja, é a massa que tem gasto energético, por isso, é que eles têm direito a ingerir mais calorias mesmo considerando o factor do metabolismo basal sobre as mulheres, pela sua constituição em termos de massa muscular que têm aumentada. Mas que é normal na constituição fisiológica do homem.
 
10. O funcionamento da tiróide também influência a massa corporal. Como?
Pode influênciar de duas formas. Quando a tiróide funciona mal, quer por excesso e se funciona mal por excesso, há um aumento do metabolismo basal e se a pessoa não tem uma ingestão alimentar de forma a compensar este aumento de metabolismo basal, vai haver um gasto das reservas, por isso vai haver uma diminuição de massa gorda. Se nós temos um mau funcionamento da tiróide mas por hipotiroidismo em que neste a tiróide está a funcionar por defeito, há uma diminuição no metabolismo, se a pessoa continua a ingerir a mesma quantidade de alimentos que ingeria, quando tinha o metabolismo normal, vai haver uma acumulação de gordura, por isso vai haver um aumento de massa gorda.
 
11. A obesidade é mais preocupante nas crianças ou na idade adulta?
            Nas duas. Nas duas, só que é assim quando olhamos para as crianças, olhamos para alguém que ainda tem um percurso muito grande pela frente. E normalmente aquilo que se sabe, pelos estudos feitos até agora, é que normalmente miúdos obesos vão dar adultos obesos. Por isso irão levar a um aumento da prevalência da obesidade na idade adulta. Por isso provavelmente olhando assim de vista grossa seria mais grave na infância, mas se nós olharmos à prevalência da obesidade, neste momento temos uma população adulta extraordinariamente obesa. Por isso dizer que é mais grave numa idade ou noutra não sei se me atrevo, mas a gravidade é igual. Agora tem que ser olhada de forma diferente, porque terá consequências diferentes consoante é na idade adulta ou na infância.
 
12. Em que idades esta doença é mais frequente?
            Em todas as idades. Nós temos idosos obesos, temos adultos obesos, temos adolscentes obesos e crianças obesas. Agora se nós formos procurar prevalências e estudos de prevalência, vamos encontrar mais na idade adulta e na infância, porque são aquelas onde é mais fácil de fazer os estudos. Durante a adolescência não temos tantos estudos como isso, porque há muitos factores que podem deturpar as prevalências. Mas é só por aí.
 
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publicado por simply_misses às 17:32
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